Meus amigos, a partir de agora, pelo menos uma vez por semana, espero, quero ir trazendo pro blog todas as receitas que fiz, ou melhor, pelo menos as que anotei.
Este é o grande barato de ser cervejeiro caseiro, o desprendimento pela receita, a vontade de compartilhá-las, assim como todas as demais experiências advindas com a prática do hobby.
É muito bom receber mensagens de amigos, às vezes até desconhecidos, hehehe, perguntando se podem fazer alguma das receitas que coloquei no blog. A resposta é óbvia: mas é CLARO que podem, é um prazer, do contrário não as colocaria aqui. Mais gostoso ainda é receber o feedback de como ficaram as receitas prontas, e de vez em quando até receber umas garrafinhas com as versões dos amigos.
Este é o espírito do cervejeiro caseiro, compartilhar sempre. Até porque não há o que esconder, repito isto sempre, pois como cozinhar, se déssemos os mesmos ingredientes e equipamentos pra dez chefs diferentes, teríamos ao final dez pratos também diferentes. Tudo que fugir disso é reminiscência do passado das grandes, adeptas dos segredos industriais, dos mitos e dos sofismas. Não temos o que esconder, não usamos milho, arroz, matéria primas ruins ou nada que possa denegrir nossa cervejinha, desvalorizando-a ao ter seu processo conhecido, pelo contrário. E se inventamos algo novo, por que não dividir?
Muito bom ver iniciativas como as da cervejaria Colorado, que, fazendo um evento dentro de suas instalações (Brewday), recebe os cervejeiros caseiros e mostra-lhes o processo de produção de sua Índica, pra mim uma das melhores cervejas nacionais, ou as da Falke e da Bamberg, que zelam, acima de tudo, pela qualidade de suas cervejas e chamam os cervejeiros caseiros pra dentro de suas fábricas, mostrando que não têm o que esconder, ao contrário, auxiliando o pessoal a fazer cada vez melhores cervejas também, e, porque não, aprendendo também com a troca de experiências. Cada dia que passa sou mais fã destas três cervejarias, Falke, Bamberg e Colorado, não só pelas maravilhosas cervejas que nos proporcionam, mas principalmente pela forma como tratam a cultura cervejeira.
Voltando ao tópico do post, vamos à minha primeira receita, 20 litrinhos de uma Brown Ale elaborada em 20/12/2005.
De maltes:
Pilsen – 4,1 kg (Agromalte)
Cristal claro, aproximadamente 150 EBC – 0,44 kg
Chocolate – 0,256 kg
Munich – 0,408 kg
Obs: na época era super certinho, hehehe
Água:
30 litros de Minalba, 15 pra brassagem e 15 pra lavagem
Lúpulo:
Galena – 15 g faltando 30 minutos pro final da fervura
Saaz – 13 g faltando 5 minutinhos
Fermento:
US-56, atual S-05
A brassagem inicou com a água a 60º, elevei até 64º e mantive nesta por 1 hora. De 64º elevei pra 66º e mantive por 30 min., depois elevando pra 72º e mantendo por outros 30 minutinhos, findos os quais, subi até 78º pra inativação das enzimas.
A fermentação se deu em 5 dias, e na sequência engarrafei direto, fazendo um primming com 8g por litro. Cabe comentar que nas cervejas seguintes deixei de fazer este procedimento, de engarrafar logo depois da fermentação, primando por uma maturação de no mínimo 14 dias no maturador, antes de fazer o primming e engarrafar. A OG foi de 1056, enquanto a FG ficou 1017, o que me deu 5,1% abv.
Esta minha primeira cervejinha ficou show, embora engraçado seja nunca tê-la repetido, o que sempre pretendi.
Sou super desorganizado, pra que tenham idéia, minhas senhas do blog e internet ficam a cargo do Serginho, da Cervejaria Fraga, mas pelo menos uma vez por semana tentarei colocar minhas receitinhas aqui, se possível achando as fichas que utilizava para anotá-las.
Um brinde à amizade cervejeira,
Botto
Bem legal Botto!
Começou a menos de 5 anos, e já é referência pra muita gente, muito por compartilhar tudo nesse blog que é fantástico. Inclusive o blog me convenceu a começar a fazer cerveja em casa!
Fiz a primeira, com a receita da Fluminense 3, no final de fevereiro, se não me engano. Não duraram nem 2 semanas os cerca de 15 litros que fiz, ficou realmente muito boa, todo mundo gostou. Apenas o creme que não ficou muito bom, mais acredito que foi por limpeza deficiente, porque formou bolhas um pouco grandes, e bolhas que se prendiam à parede do copo.
Minha segunda tentativa foi no sábado, quando fiz uma porter com café, mas dessa vez me baseei na receita sua, e mudei algumas coisas.
Vamos ver como fica o resultado quando tiver pronta!
E tem que marcar um curso em SP Botto, que com certeza teria minha presença.
Abraços,
Paulo
Valeu, Paulo. Vou marcar em breve um cursinho aí em Sampa, e assim que tiver algo definido postarei por aqui.
Abraço,
Botto
Botto,
Repito o que o Paulo disse. Estamos anciosamente esperando o seu curso aqui em São Paulo!!!!
Abs,
Fernando Lemos
oi , botto
sempre acompanho seu blog e demais informações sobre cerveja caseira , em breve farei minha primeira tentativa . mas surgiu uma dúvida : vi muita gente falando que durante a fermentação é importante não deixar entrar ar ( oxigênio ) no fermentador , pois este não permitiria a geração de álcool no processo , daí o uso do airlock ( que permite apenas sua saída ) . aí me ( te ) pergunto : 1 – se não pode ter ar , então porque aerar o mosto antes de inocular o fermento ( se aerar é devolver o oxigênio à mistura ) ? 2 – suas fermentações não são feitas com o airlock , mas com uma espuma , que permite sair ( e entrar ) ar , certo ?! sendo assim , imagino que a tampa do fermentador seja só para evitar a contaminação da mistura . afinal , o contato com o ar ( ou a presença constante de oxigênio ) atrapalha ou não a fermentação ?
no mais , parabéns pelo belo trabalho artesanal de cerveja .
abs ,
bruno
Fala Botto! Achei mt interessante esse post, realmente acho que tem mesmo é que propagar a cultura. Quem tem que esconder é quem bota milho e arroz, extrato de lúpulo… Se me permite, vou dar uma breve resposta pro cara acima, Bruno, e depois vc me corrige se eu tiver errado.
Bruno, o oxigênio é fundamental na fermentação. Por isso é preciso oxigenar quando colocar o fermento. Mas, depois, o contato com o ar vai gerar a interação com outras bactérias, fungos e afins q sabe deus o que podem fazer com a cerveja… Originalmente, a fermentação era feita ao ar livre, mas é como o queijo roquefort. Naquela região da França é comum o fungo que gera aquele tipo de queijo. Então vc deixa ele ao ar livre mesmo, pois o “fermento” já está lá. Se vc deixar a matéria prima do queijo aberto na sua casa vc vai ter uma outra coisa, q não se sabe se vai ser boa ou não, mas certamente será mt diferente e talvez vá requerer matérias primas diferentes. Deu pra entender?
fora impurezas e coisas do gênero que podem ter contato com a cerveja e piorar a qualidade da mesma. Resumindo, precisa sim do O2 mas não de todo o resto se vc tá usando um fermento que não é natural daquele lugar (q vai acontecer em quase tds os lugares do mundo, menos na regiao especifica onde determinada cerveja é produzida…
Certamente tem mais coisa aí, o Botto depois te explica melhor…
abs
Muito boa a sua inciativa Boto. Queria ter feito seu curso.
Continue assim.
Abraços
Caro Botto:
Estou iniciando na cervejaria artesanal e gostei da planilha que vc. apresentou.
Vc. poderia enviar o arquivo que vc. montou esta planilha?
Abraços
Saudações Botto.
Somos um grupo de cinco amigos iniciantes na fabricação de cerveja artesanal. Suas dicas têm nos ajudado bastante. Obrigado.
Adoramos sua ficha cervejeira, seria possível enviar-nos um arquivo para imprimí-la e passarmos a utilizar em nossa jornada?
Abraço
Opa, José, que legal, é maravilhoso fazer nossas cervejinhas. qq coisa estou às ordens.
Abraço